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05.ABR.17 - 17:10

Estudante sírio conclui mestrado com 18 valores

Fugiu da guerra na Síria, foi refugiado na Jordânia e veio para Portugal estudar, numa altura em que as aulas já tinham começado. Dois anos depois, Ihssan Khalifeh terminou o Mestrado em Engenharia Civil e já tem trabalho na área.

Depois de deixar a Síria e uma guerra para trás, Ihssan Khalifeh chegou ao Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro, em 2014, com o objetivo de concluir o Mestrado. Hoje, o jovem de 25 anos terminou esta etapa com 18 valores, depois de 8 meses a realizar o planeamento e gestão de obras de alargamento da A1, em Gaia, para a Mota-Engil.

Além de ter concluído com uma excelente nota o Mestrado, Ihssan Khalifeh recebeu e aceitou o convite da empresa Mota-Engil para continuar a trabalhar ao seu serviço. O estudante frequentou a Licenciatura de Engenharia Civil na Yarmouk Private University, em Damasco, capital síria, terminado quando as primeiras bombas soaram na cidade.

Foi recebido na UA no âmbito da Plataforma de Assistência Académica de Emergência a Estudantes Sírios, uma iniciativa que já trouxe para a academia aveirense sete jovens refugiados sírios para continuarem os seus estudos.

Deixou a família na capital síria para se refugiar na Jordânia, mais concretamente na cidade de Amã, onde esteve 8 meses sem estudar. O sonho de se tornar engenheiro civil parecia adiado até ter conhecer a Plataforma de Assistência Académica, promovida pelo ex-presidente Jorge Sampaio. 

Em Março de 2014 afirmava que queria tirar o Mestrado “para adquirir a experiência necessária para regressar depois da guerra civil acabar”, o que esperava que acontecesse “o mais rapidamente possível” e fazer parte do processo de reabilitação do país.

Ihssan Khalifeh admite que recebeu “um apoio enorme, não só dos docentes, mas também da maioria dos colegas do departamento”. “Quando cheguei a Portugal as aulas do DECivil já tinham começado e precisava de me adaptar rapidamente à nova vida universitária e à língua portuguesa”, confessa.

O professor do DECivil, Agostinho Benta que, juntamente com José Balsas, engenheiro da Mota-Engil, orientou o jovem sírio na fase de estágio, explica que Ihssan Khalifeh “acompanhou as atividades diárias de planeamento e gestão de obra, em particular a construção dos pavimentos e os respetivos processos de formulação, fabrico, aplicação e controlo de qualidade das camadas betuminosas”. As atividades, aponta o docente, “envolveram o estudante em estudos de preparação em gabinete, trabalhos laboratoriais e acompanhamento da execução na frente de obra”.

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