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21.MAR.17 - 15:20

Paixão pelo futebol: amor ou fanatismo?

O que justifica a paixão desmedida por um clube de futebol? Será que a ciência consegue explicar o fanatismo e o amor incondicional dos adeptos à sua equipa? Um grupo de investigadores da UC propôs-se a procurar respostas para estas questões.

Um estudo realizado no Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS), da Universidade de Coimbra, investigou a paixão pelo futebol e concluiu que esta atravessa a fronteira entre o amor tribal e o fanatismo. Esta investigação foi realizada com recurso ao cérebro de 56 adeptos, na sua maioria pertencentes às claques da Académica e Futebol Clube do Porto.

Ao longo de três anos os investigadores Catarina Duarte, Ricardo Cayolla e o coordenador Miguel Castelo-Branco, escrutinaram a mente de 54 homens e duas mulheres com idades compreendidas entre os 21 e os 60 anos. O objetivo era descobrir de onde surge a tensão entre o amor e o fanatismo, que resulta, simultaneamente, num sentimento de pertença a um grupo e de rivalidade com outros grupos. 

Os participantes no estudo foram expostos a vídeos emocionalmente intensos: positivos, negativos ou neutros, consoante as suas cores clubísticas. A investigação determinou que «foi observada a ativação de circuitos cerebrais de recompensa que são semelhantes aos que são ativados na experiência do amor romântico», explica Miguel Castelo-Branco. O investigador acrescenta que, «em particular, os circuitos de memória emocional são mais recrutados pelas experiências positivas do que pelas negativas».

Já publicado na SCAN, uma das revistas de neurociências das emoções mais prestigiadas a nível mundial, o estudo revela ainda «que a paixão tende a prevalecer sobre os conteúdos mais negativos como, por exemplo, de derrota com o rival, que tendem a ser suprimidos da memória emocional», esclarece o coordenador.

Desta forma, o cérebro parece ter mecanismos de proteção contra memórias suscetíveis de levar ao ódio tribal. Por outro lado, o também docente da Faculdade de Medicina da UC salienta que «quanto maior o score de paixão clubística medida psicologicamente maior é a atividade em certas regiões do cérebro associadas a emoções e recompensa».

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