Chama-se James Bond, mas tem apenas uma missão: combater a dislexia e a burocracia associada. O estudante, que tem sido barrado por várias universidades, não desiste do sonho de obter um grau académico.
Entre o conhecido espião da literatura e do cinema e o seu homónimo australiano, existem poucas semelhanças além do nome. Ao contrário dos múltiplos vilões combatidos pela personagem criada por Ian Fleming, este James Bond combate apenas um: a dislexia.
Apesar de ter um QI de 150 e uma carta de recomendação da ex-primeira ministra australiana Julia Gillard, James Bond não consegue entrar na universidade. O candidato viu o seu PhD rejeitado por três instituições de Ensino Superior da Austrália (Newcastle, Macquarie e Sydney) e tudo porque sofre de dislexia.
Bond redigiu uma carta de reclamação ao Departamento Antidiscriminação do estado de Nova Gales do Sul em que alega que a Universidade de Sydney está a prejudicar os alunos que possuem esta deficiência.
Mesmo com recurso a um supervisor capacitado para supervisionar a sua pós-graduação de acordo com a legislação em vigor sobre a dislexia, foi-lhe impedido o acesso a um escriba que pudesse avaliar o seu processo.
O estudante tentou também completar a sua Licenciatura em Artes e o seu Mestrado em Investigação em Macquarie, utilizando gravações áudio e um escriba para demonstrar que estava apto. A instituição afirmou que não tinha nenhum tutor disponível.
Já em Newcastle acusaram-no de ser «inadequado academicamente para obter um progresso satisfatório».
Em sua defesa, a antiga primeira-ministra Julia Gillard afirmou que Bond foi uma inspiração para ela, lutando bravamente na defesa dos direitos das pessoas com dislexia.
Segundo James Bond, o importante é ir subindo patamares até atingir a igualdade. Conseguir «ser um trabalhador remunerado, ser um contribuinte para os impostos do país e ser capaz de sustentar a família» são as suas metas.
Desde que teve que sair da escola, aos 14 anos, devido à sua inabilitação, o australiano tentou, sem sucesso, um emprego como talhante, canalizador, trabalhador ferroviário e funcionário público. Bond garante que, devido à burocracia, nunca conseguiu encontrar uma ocupação em que se sentisse realizado.
(Fonte: Brisbane Times/Foto: Janie Barrett)