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02.NOV.16 - 17:15

A memória como aliada na sobrevivência

Se te perderes numa floresta ou numa montanha, a tua memória pode ser a maior ajuda para sobreviveres. A conclusão é de um estudo da Universidade de Aveiro, que investiga os papéis importantes que a memória pode desempenhar. 

A investigadora do Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro (UA), Josefa Pandeirada, sugere que a memória humana é mais eficaz em cenários de sobrevivência. A hipótese é levantada após uma investigação, em marcha desde 2007 e desenvolvida em parceria com James Nairne, coordenador e responsável da Universidade de Purdue (EUA). As últimas conclusões foram publicadas recentemente na revista Perspectives on Psychological Science. 

A conclusão partiu de um teste à memória de grupos de voluntários, submetidos a experiências em que eram convidados a imaginarem-se em ilhas desertas, montanhas ou florestas - contextos em que a sobrevivência está em jogo. Os indivíduos eram convidados a avaliar a relevância que vários objetos teriam para assegurar as suas sobrevivências. No final, eram surpreendidos com um teste de memória, no qual tinham que recordar o máximo de objetos possíveis.

O resultado desta experiência é a de que as pessoas recordam mais objetos quando pensam neles no contexto de sobrevivência do que noutros cenários de controlo utilizados (ganhar a lotaria, preparar o seu suicídio, planear o assalto a um banco).

«Quando as pessoas pensam na relevância que objetos poderão ter num contexto de sobrevivência, a recordação dos mesmos é melhor comparativamente com quando os mesmos objetos são considerados num conjunto de tarefas que não incluem esta dimensão adaptativa», explica Josefa Pandeirada.

Historicamente, «o estudo da memória humana tem sido pautado por uma análise muito estruturalista focada na identificação dos diferentes componentes da memória e na exploração do modo como estes operam», relembra a investigadora da UA e acrescenta que embora esta análise dê a conhecer muito sobre o funcionamento da memória, «ela descura questões mais fundamentais relacionadas com as funções que a memória desempenha».

Neste momento, os investigadores estão a estudar dois outros problemas adaptativos, nos quais pensam que a memória pode desempenhar um papel importante: a contaminação e a reprodução.

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