Enquanto se debate o aquecimento global e o efeito deste no degelo glaciar, um estudo internacional vem provar que afinal a Península Antártica está a arrefecer.
Uma equipa internacional realizou uma investigação cujas conclusões contrariam a maioria dos estudos científicos que assinalam a Península Antártica como uma das áreas da Terra onde o aumento de temperatura é mais elevado. Os resultados, que foram publicados este mês na revista Science of the Total Environment, garantem que esta região está, afinal, a arrefecer.
O grupo de investigadores inclui profissionais do Instituto Dom Luiz da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do Centro de Estudos Geográficos do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território. Os cientistas analisaram a evolução da temperatura nas dez estações da Península Antártica desde o início da década de 1950 até 2015.
Segundo este estudo, o aquecimento atingiu o seu máximo em 1998-1999 quando a temperatura atingiu os valores mais altos. A partir daí registou-se uma descida de quase 1.ºC, comparando a última década (2006-2015) com a anterior (1996-2005).
O arrefecimento está já a ter um impacto sobre os ambientes terrestre e marítimo da Península Antártica. Os investigadores no local registaram não só um aumento de gelo marinho e de plataformas de gelo na região, como a desaceleração no recuo dos glaciares.