Depois de ter passado um mês em Lesbos, na Grécia, a ajudar refugiados, Pedro Santos decidiu voltar. Antes de partir com a colega Susana, o estudante pretende angariar roupa e mantimentos para colmatar as necessidades dos campos de acolhimento.
Pedro Santos tem 25 anos e completou recentemente mestrado na Faculdade de Economia do Porto. No dia 23 de fevereiro irá partir rumo à Grécia para ajudar refugiados, nos campos de Kara Tepe (Lesbos) e Eleonas (Atenas).
Esta é a segunda vez que Pedro participa nesta iniciativa, tendo estado já um mês em Lesbos, a ajudar refugiados nos campos de Moria e Kara Tepe. O estudante conta que nestes espaços existem problemas todos os dias. «Na primeira semana que lá estive, uma mulher estava a cozinhar no meio das tendas, a garrafa de gás de campismo rebentou, provocou um incêndio. Morreu carbonizada juntamente com uma das filhas», revela.
Mas o que motiva um antigo estudante da FEP a sair da sua zona de conforto e partir para ajudar desconhecidos? «Precisava de ver com os meus próprios olhos o que estava a acontecer», conta Pedro e adiciona que «acreditava que tinha de ir, para ajudar aquelas pessoas de alguma forma».
O estudante decidiu voltar, uma vez que sentiu que o dever ainda não estava cumprido. «Sabia que ainda há lá muito a fazer e que os campos não iam estar preparados a tempo para o inverno rigoroso que se está a sentir», confessa. Pedro Santos decidiu então organizar-se, juntar algumas pessoas e planear uma missão mais completa.
Nesta segunda viagem, Pedro terá a companhia de Susana Antunes, também ex-estudante da FEP. O duo irá cooperar com três organizações: a Humanitarian Support Agency, a Emergency Response Centre International (ERCI) e o Projeto Elea, que distribui roupa e comida no campo de refugiados de Eleona, em Atenas.
Pedro crê que é importante, para a formação cívica enquanto indivíduo e para formar uma opinião fundamentada, ter esta experiência e lutar por um mundo melhor. «Acredito que os jovens se devam envolver em causas com as quais se identificam, seja através da participação em protestos, manifestações, partilha de conteúdo pelas redes sociais, ou do apoio a ONG’s, com trabalho de voluntariado e/ou com doações», explica.
Em paralelo à viagem, o grupo está a realizar a angariação de contribuições monetárias para colmatar as falhas de doação de certos artigos e responder a necessidades de emergência. Podes participar através deste link. Pedro e Susana pretendem igualmente encher 200 caixas de bens para serem enviados num contentor no final de março. A lista de bens necessários pode ser consultada aqui.