A Universidade do Porto está de luto com a partida de um dos mais carismáticos professores da instituição. Daniel Serrão faleceu este domingo, deixando um vasto legado nas áreas da biomédica e da bioética.
O professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Daniel Serrão, faleceu este domingo aos 88 anos. Em comunicado, a instituição assinala a «perda irreparável» e o «legado perene em toda a academia».
Nascido a 1 de março de 1928 em S. Dinis, Vila Real, completou os liceus de Viana do Castelo e Coimbra. Licenciou-se em Medicina, na Universidade do Porto, na faculdade onde posteriormente viria a lecionar. Foi também professor em Luanda, onde esteve dois anos a ensinar Anatomia Patológica, prestando serviço no Hospital Militar.
Foi um dos primeiros professores de Medicina em Portugal a dedicar-se ao debate em torno das questões éticas da profissão. É justamente reconhecido internacionalmente pelo seu trabalho científico na área da Bioética.
Presidiu ao Conselho de Reflexão sobre a Saúde e representou Portugal no «Comité Directeur de Bioéthique». Foi também designado membro do «Comité Internacional de Bioética» pelo próprio diretor geral da Unesco.
Durante a sua vida recebeu várias condecorações, entre as quais o Prémio Pfizer, o mais antigo galardão na área da Biomédica em Portugal, em 1958, 1961 e 1971. Foi igualmente agraciado com a Medalha de Mérito da Ordem dos Médicos em 2002 e recebeu em 2008 a Grã Cruz da Ordem Militar de Santiago de Espada, pelas mãos do então Presidente da República, Cavaco Silva.
A Universidade do Porto apresenta as suas condolências afirmando que o «nome do Prof. Doutor Daniel Serrão ficará para sempre ligado à formação de brilhantes gerações de médicos e investigadores científicos na Universidade do Porto». A instituição acrescenta ainda «o seu humanismo, a sua humildade e a sua relação de proximidade com estudantes e colegas».