Carla Ribeiro, antiga estudante da U. Porto e atualmente investigadora na Holanda, encontrou um conjunto de células que são resistentes ao vírus do HIV. O trabalho da cientista foi publicado num artigo da revista Nature.
Uma investigadora portuguesa descobriu o mecanismo que torna determinadas células humanas resistentes ao vírus HIV. Os resultados do trabalho de Carla Ribeiro, antiga estudante de Bioquímica da Universidade do Porto, atualmente ligada ao Academic Medical Center (AMC) e à Universidade de Amesterdão (Holanda), foram agora publicados na revista Nature.
A pesquisa desta cientista centrou-se nas «Langerhans cells», um conjunto de células que estão presentes em diferentes tecidos humanos, como a vagina, o prepúcio e o intestino. Segundo o grupo de investigadores da AMC, estas células podem ser a chave para a imunidade contra o vírus da SIDA, dado que podem restringir e obstruir a transmissão do HIV, por ação da proteína TRIM5alfa, durante a atividade sexual.
«Nestas células o HIV-1 é destruído por um processo chamado autofagia, que ocorre dentro das células e é capaz de digerir micróbios como uma trituradora», explicou Carla Ribeiro, em declarações à agência LUSA. A descoberta agora divulgada pode abrir portas ao desenvolvimento, a longo prazo, de novos métodos de prevenção e tratamento.
O artigo, publicado na Nature, resulta do estudo que Carla Ribeiro desenvolveu durante quatro anos, no âmbito do seu pós-doutoramento no AMC. Este projeto é financiado pela Netherlands Organization for Scientific Research. A investigadora está desde maio de 2011 no AMC da Universidade de Amesterdão, depois de se ter doutorado na Universidade e Centro de Pesquisa de Wageningen, instituição também localizada na Holanda.