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15.JAN.16 - 11:29

FEUP: Mais do que hélio para chegar à estratosfera

Cinco estudantes da FEUP estão na final da REXUS/BEXUS - Rocket and Balloon Experiments for University Students, que se realiza em outubro, em Kiruna, na Suécia. A competição é organizada pela Agência Espacial Europeia. 

Um balão recheado de hélio pode ser muito mais do que uma forma de fazer com que a tua voz fique, hilariantemente, aguda. É um meio bastante utilizado para testar experiências científicas e tecnológicas na estratosfera, a segunda camada da atmosfera. 

Cinco estudantes da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) estão prestes a fazê-lo em Kiruna, no norte da Suécia, depois de terem sido um dos grupos selecionados pela Agência Espacial Europeia (ESA) para a final da REXUS/BEXUS - Rocket and Balloon Experiments for University Students. 

A competição testa as competências de estudantes de toda a Europa através do lançamento de balões cheios de hélio ou de foguetes, aos quais são acopladas as tecnologias desenvolvidas nas universidades. 

«É bastante entusiasmante perceber que a nossa ideia pode passar do papel para um protótipo com viabilidade e que o universo tecnológico se faz destes pequenos contributos, o que prova que podemos ser capazes de contribuir para o mundo da tecnologia e que não é apenas um conceito utópico e inalcançável», conta a equipa de estudantes da FEUP, em entrevista ao Canal Superior. 

Sob a supervisão de Sérgio Reis Cunha, professor da FEUP, Bruno, Américo, David, Nuno e José, alunos do 3º e 4º ano do mestrado integrado em Engenharia Eletrotécnica e Computadores, vão até à Suécia testar a experiência «SIGNON - Signals of Opportunity for Navigation», num enorme balão de hélio. 

E em que consistem estes «sinais de oportunidade para navegação»? «A nossa experiência consiste na captação de vários sinais existentes na atmosfera - sinais de rádio, sinais de televisão digital e sinais transmitidos por aviões que passem pelas redondezas do voo do balão», explicam os estudantes.
 
Depois de captar estes sinais e «determinar distâncias às estações terrestres», a ideia é que a tecnologia concebida pelos cinco alunos seja capaz de obter informações com potencial uso na navegação de satélites de baixa órbita.   

«Este projeto está a superar todas as expectativas iniciais. A apresentação foi um desafio, mas o júri gostou bastante e recebemos vários elogios durante o workshop que aconteceu em Amesterdão, em dezembro», afirmam. 

De acordo com a equipa de futuros engenheiros, a próxima etapa da competição consiste em desenvolver o projeto até ao seu lançamento, em outubro, na Suécia. Antes de mandar a tecnologia para a estratosfera, ainda vão ultrapassar três fases de verificação do projeto, tanto em Kiruna como na Holanda.

A participação na REXUS/BEXUS, frisam os estudantes da FEUP, tem resultado numa «aprendizagem para além do que se aprende nas aulas» e ainda no «contacto com outros estudantes universitários de outros países».

Bruno, Américo, David, Nuno e José acreditam que a «missão seja bem-sucedida» e, se no futuro houver um «potencial interesse» empresarial na utilização do projeto, não descartam a hipótese de levar a ideia para o mercado. 

«A engenharia e o espaço são fascinantes: abrem-nos grandes portas e a possibilidade de desenvolver novos projetos e colocar em prática ideias que podem melhorar a vida das pessoas e contribuir para o progresso da sociedade. A engenharia pode fazer a diferença», acreditam os cinco futuros engenheiros, que além do programa promovido pela ESA, integram o projeto STRAPLEX - STRAtospheric PLatform EXperiment, uma iniciativa também da FEUP, na qual são enviadas cápsulas instrumentadas até à estratosfera.  

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