Depois do golpe de estado falhado, a 15 de julho de 2016, o presidente Erdogan criou várias leis restritivas. Entre estas medidas, o chefe de estado da Turquia destituiu a maior parte dos reitores universitários, apontando novos nomes pessoalmente.
Depois das recentes infrações na autonomia das universidades e na liberdade académica, refletidos em dois decretos publicados no jornal oficial turco, a 29 de outubro, a European University Association (EUA) está preocupada com o impacto destas adendas.
Os decretos afirmam que os reitores das universidades não serão mais eleitos, mas apontados pelo Presidente da República, que tomará a decisão baseada em três candidatos propostos pelo Conselho Turco de Ensino Superior (YÖK). Em casos excecionais o chefe de estado elege diretamente o reitor da universidade, sem nenhum envolvimento com o YÖK.
O primeiro resultado é o afastamento da reitora da Universidade de Bogaziçi, em Istambul, Gülay Barbarosoglu. A dirigente, membro da direção do EUA, tinha obtido um número recorde de votos nas eleições da instituição, a 12 de julho de 2016 (348 votos de 399 possíveis).
No dia 12 de novembro de 2016, o Presidente da República da Turquia, Tayyip Erdogan, apontou Mehmed Özkan como Reitor da Universidade de Bogaziçi, para o período entre 2016 e 2020. Özkan era anteriormente vice-reitor na universidade.
A Universidade de Bogaziçi era a única cujo reitor tinha sido eleito por sufrágio democrático. Todas as outras 17 universidades, que também realizaram eleições no dia 12 de julho de 2016, viram os seus representantes serem substituídos, imediatamente após a emissão dos decretos de outubro, por outros nomes, apontados pelo Presidente turco.
Em comunicado, a EUA enfatiza a solidariedade com «a comunidade académica turca e em particular com Gülay Barbarosoglu», sublinhando «a importância de se erguer perante os valores universitários e permanecer comprometida com os princípios reconhecidos internacionalmente da autonomia universitária e da liberdade académica, valores esses que estão sob grande pressão na Turquia».