Uma das mais importantes figuras históricas do panorama nacional faleceu este sábado aos 92 anos. Mário Soares lutou avidamente contra o Estado Novo e foi no universo académico que a sua intervenção política despontou.
Nascido a 7 de dezembro de 1924, na cidade de Lisboa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares era filho de João Soares, deputado e governador civil, formado em Teologia.
As raízes da sua intervenção política foram influência do progenitor. João Soares era um republicano convicto e devido ao exílio, viu-se privado de passar mais tempo com o filho.
Cumpriu o liceu no Colégio Moderno, fundado pelo pai. Gostava de brincar aos políticos e no liceu dizia que queria ser primeiro-ministro. Contudo, Mário Soares garantiu sempre que se tornou político à força, por não conseguir viver em ditadura.
Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Universidade de Lisboa em 1951, sem nunca ter sido um aluno brilhante. Enquanto as notas variavam entre os 12 e os 13 valores, o estudante deambulava pela Faculdade de Letras, conspirando contra o regime. Foi precisamente o seu percurso académico que catapultou a sua intervenção política.
Na faculdade teve como professores Agostinho da Silva, Álvaro Salema, Álvaro Cunhal e Marcello Caetano. Este último, então professor de Direito e mais tarde Presidente do Conselho, acreditava que Mário Soares poderia vir a lecionar na faculdade, carreira que o jovem estudante rejeitou.
Durante este período junta-se a vários movimentos de contestação ao Estado Novo. Entre eles o Movimento de Unidade Nacional Antifascista e o Movimento de Unidade Democrática, do qual foi fundador do setor juvenil.
Esta rebeldia custou-lhe 12 detenções e uma perseguição acirrada pela PIDE (Polícia Internacional para a Defesa do Estado). A 22 de fevereiro de 1949, casou na prisão com Maria de Jesus Barroso, por procuração.
Depois de várias aventuras de oposicionismo ao regime ditatorial, foi enviado para o exílio em São Tomé em 1968 e, dois anos depois, seguiu para França onde só voltaria após a Revolução dos Cravos de 1974. O resto é conhecido: Mário Soares foi ministro dos negócios estrangeiros, primeiro-ministro e, mais tarde, Presidente da República durante uma década, até 1986.
Figura incontornável da história e da política nacional no século XX, o antigo estudante da Universidade de Lisboa foi um dos protagonistas na integração da nação portuguesa na Comunidade Económica Europeia. Mário Soares faleceu este sábado, 7 de janeiro, aos 92 anos.
(Na fotografia: Retrato oficial por Júlio Pomar)
(Na fotografia: Retrato oficial por Júlio Pomar)