Investigadores da Universidade de Aveiro descobriram mais de 750 mil objetos a flutuar nas águas portuguesas. O estudo revela uma realidade preocupante que põe em perigo a fauna marinha nacional e que é apenas a ponta do icebergue.
Um estudo, realizado por uma equipa de biólogos da Universidade de Aveiro (UA), revela o estado preocupante da poluição marítima nacional. O grupo de investigadores encontrou mais de 750 mil objetos a boiar na Zona Económica Exclusiva (ZEE) portuguesa, número que coloca as águas portuguesas na lista negra das mais poluídas.
«A quantidade de lixo encontrada à superfície, mesmo sendo inferior a outras regiões do mundo, continua a ser preocupante para a biodiversidade marinha», alerta a investigadora responsável pelo Estudo do Departamento de Biologia (DBio), Sara Sá. «Grande parte do lixo permanece na coluna de água [situada abaixo da superfície] ou deposita-se no fundo do mar, pelo que a quantidade de lixo na superfície do mar não representa a ameaça completa», explica.
O plástico é o material dominante, seguindo-se o esferovite, restos de materiais de pesca, papel, cartão e pedaços de madeira. A densidade de detritos marinhos flutuantes é de 2,98 itens por quilómetro quadrado, valores semelhantes aos encontrados em estudos semelhantes, realizados no Mar do Norte, águas costeiras do Japão e na Península Antártica.
Estes resultados demonstram uma realidade perigosa para a fauna marinha. «Além dos aditivos químicos que possuem, os plásticos têm uma grande capacidade de absorver os compostos químicos tóxicos presentes na água do mar, o que faz com que os animais possam ir acumulando estes compostos tóxicos nos seus tecidos», revela Sara Sá.
Peixes, aves, tartarugas e mamíferos marinhos podem ser vítimas destes materiais poluentes. Os animais podem morrer por enredamento em lixo, que causa afogamento, asfixia e lhes restringe os movimentos. Já a ingestão de lixo pode provocar um bloqueio do sistema digestivo e uma reduzida absorção de nutrientes, levando à morte do animal ou a lesões internas.