Se as aranhas te dão calafrios, arrepios ou palpitações, a solução pode estar no Veracity. O software, desenvolvido por um estudante da UA, pretende minimizar a aracnofobia através da monitorização dos utilizadores.
Estima-se que mais de 50% das mulheres e 10% dos homens sofra de fobia a aranhas. Este medo crónico pode causar ansiedade, palpitações, suores frios, entre outros sintomas. Bernardo Marques, estudante do Mestrado Integrado em Engenharia de Computadores e Telemática (MIECT), na Universidade de Aveiro, pode ter criado um mecanismo que irá minimizar o impacto da aracnofobia no quotidiano dos indivíduos.
Trata-se de um software de realidade virtual, chamado «Veracity», que permite colocar quem sofre de fobia a aranhas em contacto visual com estes insetos, enquanto monitoriza as reações fisiológicas e comportamentais dos utilizadores. Os registos poderão ajudar os psicólogos a ajustarem o processo terapêutico que, eventualmente, pode ser adaptado para tratamento de outras fobias.
Para desenvolver este projeto, Bernardo Marques contou com a colaboração de uma equipa multidisciplinar da UA, que envolveu investigadores do Departamento de Engenharia Eletrónica, Telecomunicações e Informática (DETI), do Departamento de Educação e Psicologia, do Instituto de Engenharia Eletrónica e Informática de Aveiro e do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde.
O «Veracity» pode ser usado tanto em clínicas de psicologia como em casa, já que pode ser facilmente instalado em qualquer computador. O estudante do MIECT tirou partido da realidade virtual para efetivar, de uma forma menos agressiva, a terapia da exposição - que consiste em ir expondo o indivíduo fóbico ao elemento que lhe causa transtorno até que este aprenda a lidar com o seu medo.
«Graças às caraterísticas dos dados recolhidos, o psicólogo pode adaptar o tratamento às necessidades do indivíduo fóbico em cada momento», assinala Bernardo Marques. O aluno da UA esclarece ainda que «a aproximação baseada em jogos sérios e a sua capacidade de personalizar os estímulos virtuais proporcionam um nível de versatilidade que promove a sua utilidade na prática clínica como uma solução para provocar reações naturais e monitorizar indivíduos com fobias específicas, completando as terapias já existentes»