LHLN_Thumb
03.JAN.17 - 12:20

Tourém e a rota do contrabando

Um investigador da UTAD quer fazer renascer as memórias do contrabando nas zonas esquecidas do interior fronteiriço. Hugo Carvalho dos Santos realizou um estudo documental e ilustrou-o com imagens de rostos e lugares.

A aldeia raiana de Tourém, no concelho de Montalegre, é o foco de um estudo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), que pretende a patrimonialização de uma rota do contrabando naquele território. A investigação evoca lugares de memória e testemunhos de antigos contrabandistas.

Realizado pelo jovem investigador Hugo Carvalho dos Santos, o estudo documental foi desenvolvido no âmbito do mestrado em Comunicação e Multimédia. Propõe uma reflexão sobre o futuro da fronteira, retratando as pessoas que participaram nessa atividade clandestina, assim como os caminhos isolados e abrigados, utilizados para o contrabando.

Café, bacalhau, petróleo, lingotes de cobre, chumbo, gasóleo, cabeças de gado, vinho e muitos outros bens eram contrabandeados. Existiam inclusive códigos de ética entre os contrabandistas e códigos estratégicos para desviar a atenção das autoridades.

Na localidade de Tourém, onde residem centena e meia de habitantes, ninguém esconde o passado ligado ao contrabando de produtos, animais e até de pessoas que tentavam atravessar a fronteira e emigrar para outros países. A povoação criou laços e métodos próprios de ligação no comércio com o outro lado da fronteira, havendo uma convivência muito próxima entre as pessoas.

Este trabalho surge para eternizar as memórias do lugar, histórias humanas de miséria e sofrimento de um povo que lutava como podia para sobreviver em terras isoladas. O objetivo é ajudar na preservação e patrimonialização da memória do contrabando e da fronteira de Tourém, apresentando-se como um repositório da clandestinidade corajosa, com muitas imagens de pessoas e lugares.

Na rota está incluída a capela de S. Lourenço, consagrado pela tradição como padroeiro dos contrabandistas. Junto desta capela sucediam-se muitas operações clandestinas, na crença de que o santo as protegia.

Facebook Twitter