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27.OUT.16 - 15:55

UA investiga tragédia do Rio Doce

Um grupo de investigadores da Universidade de Aveiro analisou ao pormenor o desastre ambiental do Rio Doce, no Brasil. Juntando um modelo número e imagens em satélite, a equipa examinou o real impacto do rompimento da barragem.

A 5 de novembro de 2015, a barragem do Fundão, no estado brasileiro de Minas Gerais, rompeu-se, causando um dos maiores desastres ambientais da história do Brasil. O rompimento provocou o vazamento de lamas e desperdícios provenientes das minas de ferro da região, que contaminaram o Rio Doce, cuja bacia hidrográfica abrange 230 municípios. 

Quase um ano depois, a Universidade de Aveiro traz a público uma pequena ajuda para a compreensão do impacto desta calamidade, através de uma investigação que foi publicada na mais prestigiada revista sobre poluição marinha, a Marine Pollution Bulletin. 

Renato Mendes e João Miguel Dias, do Núcleo de Modelação Estuarina e Costeira do Departamento de Física (DFis) e do Centro de Estudos do Ambiente do Mar da UA, em parceria com os investigadores da UA Martinho Marta-Almeida, Fabíola Amorim e Mauro Cirano, são os autores deste projeto.

«O nosso trabalho foca-se no estudo dos padrões temporais e espaciais da dispersão da pluma do Rio Doce no Oceano Atlântico após o acidente», esclarece Renato Mendes. O investigador explica que foi utilizado um modelo número, aplicado a esta região costeira, para simular «a propagação da pluma do Rio Doce durante dois meses após a lama ter chegado à foz do rio».

Os investigadores da UA assinalam que este estudo «revelou que as águas fluviais resultantes da rotura da barragem poderão ter-se dispersado por centenas de quilómetros, atingindo localizações tão distantes como a plataforma costeira em frente à cidade do Rio de Janeiro».

Apesar de um dos mais importantes parques marinhos brasileiros, o Parque Nacional Marinho de Abrolhos, não ter sido afetado pelo acidente, Renato Mendes sublinha que «outras zonas protegidas como a Reserva Biológica de Comboios, uma unidade de conservação costeira que protege o único ponto regular de desova da tartaruga-de-couro na costa brasileira, e a Área de Preservação Ambiental da Costa das Algas localizam-se exatamente no centro da região mais afetada».

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