A eleição de Donald Trump trouxe uma onda de protestos ao seio das universidades norte-americanas e alguns estudantes muçulmanos e hispânicos temem pelo seu futuro.
Mais de 600 alunos marcharam pelo campus e pelas estradas da cidade de Eugene, onde se localiza a universidade norte-americana de Oregon, entre as 22h e a 00h de terça-feira, entoando slogans anti-Trump. O protesto repetiu-se ao meio-dia de quarta-feira, com uma marcha no Kesey Square, no centro da cidade.
«Podes afirmar que isto não vai afetar a minha vida, podes dizer-me que são apenas quatro anos. Podes-me dizer que é apenas um presidente, um homem, mas não é só isso. Os valores de Trump refletem o que a maioria dos americanos pensa e isso não está bem», explicou a estudante da UO, Pieper James, perante uma multidão.
Donald Trump surpreendeu os comentadores e confundiu as sondagens ao ser eleito, na terça-feira, presidente dos Estados Unidos. Muitas personalidades do Ensino Superior norte-americano - incluindo muitos líderes de instituições que tinham longas listas de objeções ao plano de Hillary Clinton para o Ensino Superior público gratuito - ficaram horrorizados com a perspetiva da presidência Trump.
O candidato republicano atacou regularmente as universidades, considerando-as politicamente corretas e os seus comentários sobre a população estrangeira nos Estados Unidos preocupam os líderes das universidades que dependem fortemente dos estudantes internacionais. Trump também rejeitou a ciência consensual sobre as alterações climáticas, afirmando no twitter que estas são «um conceito inventado pelos chineses».
Porém, uma das mais prementes preocupações dos estudantes e docentes das instituições norte-americanas é a possível suspensão do DACA - ato deferido das crianças acolhidas. O DACA, criado durante o mandato de Obama, suavizou as regras da imigração, permitindo a estudantes cujos pais tinham entrado ilegalmente nos EUA que alcançassem uma licença de trabalho e um número de segurança social. Durante a campanha, Trump afirmou que cancelaria este ato.
Só na Universidade de Oregon mais de 1.500 estudantes estão sob a proteção desta política. Hugo Nicolas, aluno de economia, está nesta situação. Os seus pais entraram nos EUA ilegalmente em 2003, quando Nicolas só tinha 11 anos.
Agora, com 24 e a trabalhar a tempo inteiro num banco, para poupar dinheiro, o estudante da UO teme pelo seu futuro. «O que vai acontecer? Como vai decorrer esta deportação em massa? Estamos preocupados com as nossas famílias», revelou Nicolas, em declarações ao jornal local Register Guard.
Apesar de tudo, o Conselho Americano para a Educação rejeita o alarmismo e em comunicado desejou sucesso ao presidente eleito, enquanto este embarca nos muitos desafios que a nação enfrenta. «Toda a comunidade do Ensino Superior deseja trabalhar com a administração Trump em assuntos chave tais como expandir o acesso a oportunidades de educação, aumentar os êxitos das universidades e apoiar a inovação e pesquisa pioneira», declarou o órgão norte-americano.
(Fotografia: OPB/Emily Haugbro)