Cada vez mais é nas universidades e nos politécnicos que se compensa o atraso da Polícia Judiciária na realização de perícias em cibercrime.
O Ministério Público recorre cada vez mais aos especialistas em informática das instituições portuguesas do Ensino Superior para contornar o atraso (que chega a ser de dois anos) da Polícia Judiciária na realização de perícias na área do cibercrime.
O facto consta do último relatório de atividade do Gabinete de Cibercrime, integrado na Procuradoria-Geral da República, responsável pela coordenação na área da cibercriminalidade e da obtenção de prova digital.
A demora poderá estar relacionada com a expansão progressiva dos casos com necessidade de realização de perícias informáticas, sobretudo em processos que exigem recolha abundante de provas em suportes digitais. Segundo o relatório, esta demora pode provocar mesmo o insucesso das investigações. O magistrado Pedro Verdelho, que assina o documento, refere a «dificuldade de identificar peritos fora do âmbito da Unidade de Telecomunicações e Informática da PJ».
O relatório, datado de abril de 2016 e recentemente divulgado na Internet, indica que a demora não é nova, mas «tem vindo a agudizar-se». Refira-se que o documento analisa o período de setembro de 2014 a agosto de 2015.
Para resolver o problema, o Ministério Público iniciou em julho de 2013 o contacto com instituições públicas de ensino superior para criar uma bolsa de peritos. As universidades do Porto e de Aveiro, bem como o Instituto Politécnico de Beja, são alguns dos estabelecimentos que colaboram ativamente com a polícia.